Na ponta da língua

Bom dia a todos!

Como vão vocês e suas famílias? Espero que acreditando que o menor entre vocês é motivo mais do que suficiente para que escolham se desligarem do tudo aí fora para passarem tempo juntos, um pouco todo o dia até um muito uma vez por semana.

Escrever para vocês é muito bom para mim!

Gostaria de lhes falar hoje aqui um pouco sobre o mais alto degrau do autocuidado.

A psique funciona assim, em ciclos de angústia até a descarga emocional, que precede sua renovação, vitalidade e criatividade.

Todos nos angustiamos rotineiramente, pois a psique é assim. Por isso que rituais de autocuidado são essenciais para todos, estejamos mais ou menos conscientes disso.

Alguns encontram alívio através da atividade física. Fazer alguma coisa alivia a angústia interior por um momento.

Outros recorrem a exercícios de respiração, pois a boa oxigenação também tem um papel importante no funcionamento corporal e fluxo de pensamentos.

Meu recurso preferido são os toques terapêuticos. Deito-me na cama e coloco minhas mãos sobre meu peito, boca do estômago, barriga. Às vezes toco meus olhos, minha cabeça. O toque bom faz com que o corpo confie outra vez e se disponha a falar.

Aqui chegamos ao ponto desse texto, é da ponta da língua, porém, que vem a nossa cura.

Todos os rituais de autocuidado apontam a psique em uma direção só, a da voz reveladora, que procede da nossa subjetividade contemplada.

O drama de cada dia se resolve com uma oração, traduzindo, com uma palavra certeira a respeito de todo o Universo a partir do meu verdadeiro eu.

Talvez tenha ido um pouco longe demais com essa figura gigantesca, mas o sentido dessa imagem é ajudá-lo a se perceber como ser absolutamente especial, cuja palavra tem o poder para transformar o mundo.

Quando me toco, por exemplo, entro em descanso. Mas isso ainda não carrega o comando de transformação. É apenas quando minha voz mais tímida se pronuncia com firmeza que vejo claro como o dia minha angústia retrocedendo, sem escape, para o nascimento de uma nova força e energia para a ação.

Armadura protege do choque, mas sufoca a espontaneidade.

Seu toque divino depende de você conseguir alcançar um lugar de segurança emocional. Para isso serve o amor, para nos transportar a um estado onde conseguimos ouvir para crer na voz da nossa incontestável potência.

Você é um fogo consumidor. Sua palavra, um mandamento. Mas aposto que na maior parte do tempo você esteja muito ocupado para falar e criar, para ordenar e se satisfazer. Distraído, envergonhado, indignado, magoado, talvez você tenha andado ausente, isolado das suas nascentes e personalidade.

A diferença entre um herói e um miserável está na ponta da língua.

Quem dá voz e vez a si mesmo prospera. Não estou falando do “si mesmo” bajulador, sempre preocupado em agradar e se inserir nos clubes de privilégios. Mas do “si mesmo” integridade, autenticidade, coragem e boa fé.

Quando estou sofrendo por motivo indefinido, faço minhas orações, toco o meu coração e espero pela palavra da vida.

A voz da esperança brota na ponta da língua do homem fiel.

Pense nisso!

Atenciosamente,

Rafael.

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Rafael Caldeira de Faria

Psicólogo corporal

CRP 06/89471

O que fazer quando nada mais se pode fazer

Bom dia a todos!

Como vão vocês e suas famílias? Espero que fazendo precocemente a revisão das suas vidas para declarar o quanto importam uns para os outros!

Gostaria de lhes falar hoje aqui um pouco sobre o que ainda podemos fazer depois de termos feito tudo.

Todos passamos por situações em que a expectativa por um evento futuro nos põe em movimento de intensa preparação. Ensaiamos a nossa fala, planejamos a nossa resposta. Arrumamos a casa e o coração. Até que chegamos àquele ponto quando nada mais podemos fazer e tudo se torna verdadeiramente em uma questão de tempo.

“O que fazer quando nada mais se pode fazer?”

Descanse.

Já lhes falei como você é divino quando encontra a sua paz?

Nossa paz está relacionada com o conhecimento de nós mesmos. Até que você tenha entendido quem é e o que realmente lhe aconteceu, vive desconfiado de si mesmo. “Uma casa dividida não subsistirá”.

Talvez nesse último suspiro antes do “show” você ainda possa colocar mãos bondosas sobre o próprio peito, para dizer o quanto se ama e confia na sua semente.

E se você de repente se lembrasse de que seus caminhos e descaminhos foram gerados por nexos de relacionamento? Que aquilo que você repete inconsciente quer também lhe ensinar o que é a sua vida e qual o bom propósito da sua cura interior?

Eu sou psicólogo corporal e o que faço por mim, faço por você também.

Desde que você se disponha a perder tudo de falso para semear tudo de verdadeiro, nascerá esperança para o drama que o justifica.

O psiquiatra Adalberto Barreto, criador da Terapia Comunitária, ensinou-me que nossa melhor contribuição advém da nossa maior luta de sobrevivência. Construtor é aquele que venceu sua história de ruínas; médico é aquele que venceu sua história de doenças; cozinheiro é aquele que venceu sua história de fomes; etc. etc.

Agora que a casa está limpa e tudo está pronto, resta a sua autoestima e reconhecimento de si mesmo.

Sua verdadeira identidade jamais passará. Se existe alguma dimensão de mediocridade e fragilidade essencial na sua vida, isso não tem nada a ver com quem você realmente é.

Enquanto espera pelo Grande Dia, não se traia nem se distraia. Não foi para agradar às cobiças de ninguém que você nasceu.

Aceite que a sua vida é um presente maior e que sua voz autêntica é absolutamente necessária para esse tempo.

Desligue o barulho e a murmuração. Você tem tudo o que precisa.

Hoje será um dia extraordinário! Amanhã cedo você renascerá!

Tenham todos uma boa semana!

Atenciosamente,

Rafael.

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Rafael Caldeira de Faria

Psicólogo corporal

CRP 06/89471